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Informativo do Condomínio Village São Conrado - Editado pela Sociedade Civil  - abril 2010

DEU CERTO - Escuta transformadora
Revista da Lowndes & Sons jan/fev/2010


Seu lema é o de que de nada valem conhecimentos de engenharia, direito e economia, tradicionalmente considerados os mais importantes na administração de um condomínio, sem que se considere, acima de tudo, o ser humano. E é com ele que Elisabeth Freitas tornou-se uma síndica de destaque dentro do Condomínio Village São Conrado, em São Conrado. Há cinco anos, ela é síndica do edifício Rotondo (100 apartamentos), há três doLote I (300 apartamentos) e foi reeleita presidente da Sociedade Civil Village São Conrado (nove prédios).

“Quem faz a obra é o empregado, quem paga por ela é o morador, quem coordena é o síndico; logo são as pessoas que fazem acontecer”,afirma. No final do ano passado, a exemplo do que fez nos últimos anos, reuniu os empregados das três áreas que administra – mais de 50 funcionários – em uma festa memorável de confraternização. Em datas como estas, eles recebem presentes que melhoram os ambientes que utilizam no condomínio: uma TV de plasma (em 2008) e um microondas (em 2009), ambos para o refeitório,adquiridos com recursos da reciclagem do lixo implantada no Rotondo: “São melhorias, mas também formas de conscientização”, diz. O reconhecimento e o comprometimento das equipes, resultante de um relacionamento de respeito e confiança com a síndica,está na base de sua atuação bem-sucedida.

Tudo começou em 2004, em um momento crítico para o prédio em que até entãoElisabeth era apenas uma moradora, sem nenhuma experiência com administração decondomínios. O síndico contratado havia falecido, os conselheiros dividiam-seno comando e, em meio a tudo isto, aconteceu um assalto. A comunidade sentiafalta de uma liderança e a experiência profissional de Elisabeth falou mais alto.Psicanalista, com passagens por seleção em empresas, hospital psiquiátricointernacional, asilo, escolas e comunidade carente, aliado ao atendimentoclínico, ela percebeu que era preciso alguém para lidar com pessoas.

Eleita, privilegiou o trabalho em equipe e passou a realizar reuniõescom os funcionários, primeiramente semanais, depois quinzenais e, em seguida,mensais. Na psicologia, é uma estratégia conhecida como grupos operativos, umaescuta profissional que percebe pontos os quais precisam ser trabalhados. Adinâmica entre os funcionários aponta caminhos a seguir, a partir dos quais sãorealizadas intervenções que apresentam resultados.

Demissões, ajustamento de empregado à função, seleção denovos profissionais adequados às necessidades. Tudo isso passou a ser oindicador do rumo a seguir como síndica. “Já disseram que as atribuições de umbom administrador são honestidade, dinamismo e disponibilidade, mas há muitomais e aos poucos fui aprendendo, inclusive com as falhas”, conta,acrescentando que se sua experiência profissional ajudou, mas foi na práticacomo síndica que mais aprendeu.

“A escuta sinaliza para o que precisa ser ajustado. Mas nãoé porque paro para ouvir que trato as questões com parcialidade. Trabalho comdemandas votadas, com livro de reclamações, a partir de regimento interno econvenção, e, principalmente, com a supervisão de conselheiros eficazes. Exerçouma função, nada é pessoal. Por exemplo, se há desentendimentos entre vizinhos,não fico de um ou de outro lado, a minha postura é de mediadora”, explica.

A vez do Lote I 

Para trabalhar desta forma, a síndica investe no treinamentodos funcionários que a representam (inspetores) para que tenham a sua filosofiade trabalho, ou melhor, para que “falem a sua língua”, como diz. “Há umaseletividade de problemas que me chegam e isto me protege. Assim, posso manteruma distância profissional entre a síndica e os moradores para estar semprereivindicando pelo Condomínio e não pelo particular. Antes as pessoasperguntavam: Não vai quebrar este galho para mim? Mas o papel do síndico não éo de quebra-galho”, diz. Depois de dois anos à frente do Rotondo, com ações járeconhecidas, Elisabeth foi eleita síndica do Lote I, após uma brevecontribuição como conselheira. O Lote é a parte que administra jardins,piscina, quadra polivalente, parque infantil, guaritas e estacionamentos. Sãomais de 20 empregados e um perfil de demandas diferente dos prédios. Um dosmaiores desafios deste o início foi o enfrentamento dos focos de uso de maconhaque ocorriam em algumas destas áreas comuns.


Sociedade congrega equipe de síndicos



Trabalhando com o sentido de equipe e com um padrão único deatuação, os próprios colegas cobram uns dos outros. A fórmula já utilizada noRotondo e, de certa forma, também no Lote I é comprovadamente bem-sucedida e a síndica a estáutilizando também na Sociedade Civil. “No início tivemos muitas demissões e osmoradores não entendiam o que se pretendia fazer. Mas agora não há tantasdemissões e eles funcionam de forma eficaz”, defende.

Este funcionamento é comprovado pelas assembléias que, paraa síndica, representa o retrato dos prédios e da atuação do síndico. Se ninguémse entende, algo vai mal. Mas se tudo vai bem, as reuniões são tranquilas, e é o que acontece. “É preciso ler os sinais antes, trabalhar com prevenção.Podemos, a partir das assembléias, diagnosticar onde estão os focos dos problemas e agir rápido, antes de a febre subir”.

Sob administração da Sociedade está o espaço comunitário,onde são realizadas missas e aulas de ginástica, de yoga, de pilates etc., além de reuniões diversas com os síndicos.

A configuração é diferente e há um rodízio entre os síndicos dos lotes, que assim podem ajudar a quem está ocupando o cargo de presidente.“Há uma comunhão. O título de presidente é pomposo, mas não há este poder todo porque na prática o importante é conjugar com os síndicos pelo bem comum”.

Obras buscam renovação

Sem maiores alardes, a cada ano Elisabeth realiza uma grande obra em suas administrações. São sempre benfeitorias significativas em um condomínio com 30anos. Mais que manutenção, a atenção da síndica foca na modernização da estrutura e dos ambientes. “Em 2007 reestruturamos a piscina do Lote I com uma arquitetura moderna. Em 2009 foi montada uma academia no Rotondo e este ano será a modernização dos elevadores. Uma a uma, fazemos o que é preciso. Muitas obras são urgentes: no prédio, são as trocas de tubulações; no Lote, as infiltrações do jardim para as garagens; na Sociedade, a reforma das cinco quadras de tênis (uma já foi feita)”, cita.

Mas tudo é feito a partir de planejamento, respeitando o momento dos moradores e contando com o apoio da comissão de obras. A preocupação com os condôminos ela justifica lembrando um dos principais problemas dos síndicos: a inadimplência. “É delicado: a obra precisa ser feita e, se há quem não possa pagar, não quer fazer. Mas quem vê a necessidade de suaexecução, reclama que seja providenciada logo, e o síndico fica no meio. É preciso ter tranqüilidade e não se deixar influenciar”, diz, acrescentando queo que é importante ou não no momento é uma decisão da assembléia e não dela. Eé a partir de uma visão de que é preciso ter uma estrutura organizada para que tudo funcione que Elisabeth atua. “São três universos diferentes, mas todos são um só, o Village São Conrado, foco principal de toda a ação”.

Atualmente, sua grande meta é unificar e tornar digital todoo sistema de segurança do Village, com um padrão único de procedimentos. Aproposta é unificar a estrutura de segurança para que ela passe a funcionarcomo um cinturão em torno de todo o condomínio. O tema já está sendo discutidopelos síndicos e está em processo avançado de decisões.

E assim é a receita desta síndica para o sucesso na gestãode condomínios. União e respeito entre as pessoas, construção de uma confiançamútua e de uma comunidade que se reconheça na base de tudo o que é feito para obem comum. É uma postura de quem entende que, se não há o reconhecimento desteaspecto humano das organizações, não há obras, não há nada. “Se não há umaalma, um coração pulsando com vigor, não faz sentido administrar”, conclui.


DICAS DO DEU CERTO

– Ser atuante sem ser política.

– Manter as equipes de trabalho em sintonia ao privilegiar o respeito mútuo.

– Saber escutar as demandas dos moradores e analisar todas as possibilidadesantes de tomar qualquer atitude.

– Privilegiar a comunicação escrita para exercer com eficácia a administração.

– Não misturar seu lado pessoal com a função de síndica.

– Ter o seguinte lema para os funcionários: “A melhor forma de se lidar comsituações complexas é o bom senso, e isto não se aprende na escola”.

 

 

 

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